quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Andre Chiavegatto

 



No dia 30 de novembro de 2020, dia de Santo André, logo nas primeiras horas, me movi pra matar a saudade que me corroía há dias. Tinha passado o aniversário do Monstrengo e eu nem tinha conseguido falar com ele. Nos últimos tempos estava achando estranho ele ter sumido, cheguei a pensar que ele andava batendo as fotos que apareciam no Facebook, mas que não estava aparecendo nas fotos! Com a pandemia todo o nosso comportamento mudou e a gente nem se quer percebeu exatamente o que estava acontecendo. Me lembrava de ter falado com ele por telefone, dele ter me contato sobre seus planos de viagens e de como estava feliz. A vida parou pra mim no começo da pandemia e por isso na minha cabeça não fazia tanto tempo assim que eu tinha falado com Monstrengo! Como sempre faço, recorri ao Whatsapp pra matar a saudade mais rápido! Cadê o Monstro? Segunda tentativa... Fui pro Facebook, tomei um susto quando li, "Em memória de Andre Chiavegatto". O choque foi tão grande, que minha primeira reação, foi achar a brincadeira ridícula! Aquilo não fazia nenhum sentido, não dava pra acreditar. Escrevi na mesma hora para o Henrique Leal, para saber o que estava acontecendo e ele me disse que era verdade, que nosso IRMÃO ANDRE, tinha partido. Foi difícil acreditar, entender, aceitar... Mas agora, um pouco mais equilibrada, passei aqui pra deixar a minha homenagem.

Depois de muito chorar, e conversar com os amigos mais próximos em comum, que também se surpreenderam e lamentaram a notícia, fiquei pensando: Ele sempre fez de tudo que podia pra me proteger. Até na hora de partir, ele me deu 1 ano e 2 meses a mais, pra tê-lo vivo no meu imaginário, na minha fala, no meu riso e nas minhas lembranças e no meu coração. 

Brigamos uma única vez. Foi no meu aniversário de 26 anos por conta de uma ex dele que tinha ciúmes de mim... na época, eu disse pra ele, que ele que ele havia estragado meu aniversário com a ausência dele. A tal namorada impediu que ele fosse ao meu aniversário... e dessa vez, ele não quis me magoar de novo... deixou para partir 8 dias após o meu aniversário. Ele não quis estragar o meu aniversário para sempre. 

Nossa! São tantas lembranças boas, que eu nem sei por onde começar.

Conheci o André num período muito difícil da minha vida e ele foi meu anjo da guarda, foi a mão amiga. Várias pessoas fizeram de tudo pra gente não viver esse amor de irmão que a gente tinha, mas nada foi capaz de nos deter. Esse amor estava escrito e era pra gente viver.

Eu havia vivido uma relacionamento abusivo e ele percebeu, dai pra frente ele se aproximou e me protegeu.

A gente fazia tudo junto, se falava o dia todo, estagiava no mesmo lugar, cinema toda semana... ele dormia na minha casa, eu dormia na casa dele, fazíamos compras juntos, ele cuidava de mim doente ou triste, me continha nos meus momentos de revolta e raiva, ele me ensinava as coisas, eu ensinava pra ele, ele chamava a minha atenção, e eu a dele. Muita gente chegava até perguntar se era ele o meu namorado, até por que, era mais fácil me ver com ele, do que me ver com meu namorado da época!

Ele me chamava de Jhoanne, e eu chamava ele de Monstro, apelido que ele mesmo se deu! Até a minha mãe, antes mesmo de o conhecer já o chamava assim e gostava dele de longe.

Eu ainda posso ouvir ele iniciando as frases com "Essa porra" e já sorrindo do que ele mesmo ia dizer.

Quem mais na minha vida, faria minha mudança por dois quarteirões, com a minha cama de madeira maciça na cabeça? SÓ O ANDRE.

Quem me ensinou rindo a fazer meu prato preferido? O ANDRE.

A gente lutava Jiu-jitsu no chão da sala, a gente andava a pé, eu queria sair pra dançar e ele me levava pro jogo do Flamengo e ainda saia sem ver o fim do jogo só para não me colocar em risco de ser exposta há alguma briga. Que flamenguista faz isso por uma amiga botafoguense? Que amiga botafoguense vai ver o jogo do flamengo e torcer pelo time do amigo só pra ver ele feliz?

Agora, tinha uma coisa que eu achava lindo de ver, ele me trocava pra passar o dia com os sobrinhos. Era um tiozão... Um super irmão! Eu nem reclamava.

O tempo passou, eu me casei, tivemos a Maria Luisa e fomos embora do Rio de Janeiro e apesar da distância a nossa amizade não mudou. Quão querida e amada me senti quando ele disse que fazia questão de que estivéssemos no seu casamento. Despenquei de Goiânia pro Rio de Janeiro, só pra Maria Luisa se empanturrar de melancia e gritar na hora do sim! Rsrsrs... Tão bom ter você vivo de mim com aquela felicidade estampada no seu casamento!

Andre tinha um coração lindo, puro, honesto e evoluído. O que acalmou meu coração foi a fé e a certeza de saber onde ele está.

Obrigada André, por ter cuidado tanto, tanto de mim.

Obrigada Luiz, pelo exemplo de fé.

Obrigada Chiavegatto, por me dar o exemplo de compaixão e caridade.

Obrigada Pereira, por sua parceria e lealdade.

Obrigada Irmão, por ter passado esse tempo tão precioso comigo. Por ter me guiado nos momentos que eu mais precisei. 

Obrigada Monstro!

Te amo Irmão. Sei onde você está e quando minha missão acabar, a gente vai se reencontrar.

sábado, 31 de outubro de 2020

Nossa amizade.


   Vinte e seis anos de amizade com Vinicius Lopes! A matemática da Lúcia Helena Gomes Caliman nos uniu! A gente se conhece há mais tempo, trinta e quatro anos, porém, amizade mesmo foi quando nos encontramos na 8ª série do João Bley. 

   Tenho refletido muitas coisas e uma delas é a nossa amizade. Andei sendo “julgada e acusada” de preconceito e racismo há um tempo atrás. Quem não me conhece, se acha melhor que eu e ainda se acha no direito de me julgar por conta do minha opinião. Mal sabem eles que a grande maioria dos meus amigos mais próximos são negros. Tenho também amigos verdadeiros que são gays, que tem outras opiniões políticas, de outras religiões ou outras condições sociais. 

   Eu fui extremista há mais de 20 anos atrás, e a gente deixa de ser quando amadurece e percebe que esse é um comportamento burro, típico de adolescentes. 

   Continuo amiga do Vinicius, apesar de hoje estarmos tão diferentes de vinte e seis anos atrás! Estamos melhores!😄🙏🏻 

Temos tantas histórias juntos pra contar! ❤️ Coisa boa é ter amigos como você Vina.

   A gente só ama o outro de verdade quando a gente aceita o que o outro tem de diferente da gente. Por que amar o que o outro tem de igual é egocentrismo!❤️


terça-feira, 27 de outubro de 2020

Meu arco-íres - Escrito em 30 de outubro de 2015

    Depois de um dia intenso de trabalho, me deitei e a cabeça não quis parar. Eu já estava deitada, quando um dos pensamentos que me veio a cabaça foram as histórias que para minha filha ainda quero contar. 

    Uma das histórias da minha infância, é a minha antiga paixão por papelarias. Parece coisa de doido, mas assim sou eu e ponto. Me lembro com tantos detalhes da "minha primeira papelaria", que na verdade era do seu Rubinho… Nossa! Como eu amava entrar lá e sentir cheirinho de papel, me debruçar no balcão de madeira com tampo de vidro pra escolher borrachas pra minha pequena coleção. 

    Me lembro a emoção que tive quando minha mãe deixou que eu levasse pra casa uma caixa de lápis de cor de 36 cores da Faber-Castell. Não houve uma única vez que eu não entrasse lá e namorasse aquele lindo arco-íres dentro daquela vitrine. Meus cadernos, lápis, borrachas, canetas, todo material escolar era comprado lá, em todos os meus anos de escola. E olha que isso tudo foi numa época onde nem todo mundo tinha cartão de crédito, mas a "mamãe tinha conta lá!". 

    No Natal, eu ia lá com a mamãe pra comprar papel pedra para o Presépio e lâmpadas coloridas para o pisca-pisca. Bolas de Natal quebravam facilmente, mas nem todo ano o dinheiro dava pra comprar. E uma coisa bacana, é que presentes de lá marcaram fases da minha vida muitas outras vezes. 

    Na minha formatura meu querido avô Jorge não estava presente, mas me mandou com todo carinho um presente de lá! Quando ganhei meu marido numa "roleta", minha mãe foi logo providenciando um livro de receitas. O primeiro presente que minha mãe deu pra minha filha também foi dela! Hum… Agora me deu uma vontade de entrar lá, de ver seu Rubinho, sua esposa e sua filha atendendo a gente com tanto carinho. Saudade bonita, gostosa de ter! Quadros, giz, cartolina, pincel, régua, estojo, corretivo, fita pra máquina da mamãe, papel de carta, durex e plástico pra encapar os cadernos e livros. Ah, é mesmo bom lembrar da infância! É por esses e outros motivos, é claro, que hoje estou tão longe. 

    Quero que minha filha tenha algo um pouquinho mais próximo do que eu tive na minha infância, coisas gostosas pra contar, lembrar, relembrar e sentir. Uma vida menos corrida e mais vivida. Ela, a papelaria do seu Rubinho, não está mais em seu velho lugar, mas ela ainda existe com muitas histórias pra contar.