No dia 30 de novembro de 2020, dia de Santo André, logo nas primeiras horas, me movi pra matar a saudade que me corroía há dias. Tinha passado o aniversário do Monstrengo e eu nem tinha conseguido falar com ele. Nos últimos tempos estava achando estranho ele ter sumido, cheguei a pensar que ele andava batendo as fotos que apareciam no Facebook, mas que não estava aparecendo nas fotos! Com a pandemia todo o nosso comportamento mudou e a gente nem se quer percebeu exatamente o que estava acontecendo. Me lembrava de ter falado com ele por telefone, dele ter me contato sobre seus planos de viagens e de como estava feliz. A vida parou pra mim no começo da pandemia e por isso na minha cabeça não fazia tanto tempo assim que eu tinha falado com Monstrengo! Como sempre faço, recorri ao Whatsapp pra matar a saudade mais rápido! Cadê o Monstro? Segunda tentativa... Fui pro Facebook, tomei um susto quando li, "Em memória de Andre Chiavegatto". O choque foi tão grande, que minha primeira reação, foi achar a brincadeira ridícula! Aquilo não fazia nenhum sentido, não dava pra acreditar. Escrevi na mesma hora para o Henrique Leal, para saber o que estava acontecendo e ele me disse que era verdade, que nosso IRMÃO ANDRE, tinha partido. Foi difícil acreditar, entender, aceitar... Mas agora, um pouco mais equilibrada, passei aqui pra deixar a minha homenagem.
Depois de muito chorar, e conversar com os amigos mais próximos em comum, que também se surpreenderam e lamentaram a notícia, fiquei pensando: Ele sempre fez de tudo que podia pra me proteger. Até na hora de partir, ele me deu 1 ano e 2 meses a mais, pra tê-lo vivo no meu imaginário, na minha fala, no meu riso e nas minhas lembranças e no meu coração.
Brigamos uma única vez. Foi no meu aniversário de 26 anos por conta de uma ex dele que tinha ciúmes de mim... na época, eu disse pra ele, que ele que ele havia estragado meu aniversário com a ausência dele. A tal namorada impediu que ele fosse ao meu aniversário... e dessa vez, ele não quis me magoar de novo... deixou para partir 8 dias após o meu aniversário. Ele não quis estragar o meu aniversário para sempre.
Nossa! São tantas lembranças boas, que eu nem sei por onde começar.
Conheci o André num período muito difícil da minha vida e ele foi meu anjo da guarda, foi a mão amiga. Várias pessoas fizeram de tudo pra gente não viver esse amor de irmão que a gente tinha, mas nada foi capaz de nos deter. Esse amor estava escrito e era pra gente viver.
Eu havia vivido uma relacionamento abusivo e ele percebeu, dai pra frente ele se aproximou e me protegeu.
A gente fazia tudo junto, se falava o dia todo, estagiava no mesmo lugar, cinema toda semana... ele dormia na minha casa, eu dormia na casa dele, fazíamos compras juntos, ele cuidava de mim doente ou triste, me continha nos meus momentos de revolta e raiva, ele me ensinava as coisas, eu ensinava pra ele, ele chamava a minha atenção, e eu a dele. Muita gente chegava até perguntar se era ele o meu namorado, até por que, era mais fácil me ver com ele, do que me ver com meu namorado da época!
Ele me chamava de Jhoanne, e eu chamava ele de Monstro, apelido que ele mesmo se deu! Até a minha mãe, antes mesmo de o conhecer já o chamava assim e gostava dele de longe.
Eu ainda posso ouvir ele iniciando as frases com "Essa porra" e já sorrindo do que ele mesmo ia dizer.
Quem mais na minha vida, faria minha mudança por dois quarteirões, com a minha cama de madeira maciça na cabeça? SÓ O ANDRE.
Quem me ensinou rindo a fazer meu prato preferido? O ANDRE.
A gente lutava Jiu-jitsu no chão da sala, a gente andava a pé, eu queria sair pra dançar e ele me levava pro jogo do Flamengo e ainda saia sem ver o fim do jogo só para não me colocar em risco de ser exposta há alguma briga. Que flamenguista faz isso por uma amiga botafoguense? Que amiga botafoguense vai ver o jogo do flamengo e torcer pelo time do amigo só pra ver ele feliz?
Agora, tinha uma coisa que eu achava lindo de ver, ele me trocava pra passar o dia com os sobrinhos. Era um tiozão... Um super irmão! Eu nem reclamava.
O tempo passou, eu me casei, tivemos a Maria Luisa e fomos embora do Rio de Janeiro e apesar da distância a nossa amizade não mudou. Quão querida e amada me senti quando ele disse que fazia questão de que estivéssemos no seu casamento. Despenquei de Goiânia pro Rio de Janeiro, só pra Maria Luisa se empanturrar de melancia e gritar na hora do sim! Rsrsrs... Tão bom ter você vivo de mim com aquela felicidade estampada no seu casamento!
Andre tinha um coração lindo, puro, honesto e evoluído. O que acalmou meu coração foi a fé e a certeza de saber onde ele está.
Obrigada André, por ter cuidado tanto, tanto de mim.
Obrigada Luiz, pelo exemplo de fé.
Obrigada Chiavegatto, por me dar o exemplo de compaixão e caridade.
Obrigada Pereira, por sua parceria e lealdade.
Obrigada Irmão, por ter passado esse tempo tão precioso comigo. Por ter me guiado nos momentos que eu mais precisei.
Obrigada Monstro!
Te amo Irmão. Sei onde você está e quando minha missão acabar, a gente vai se reencontrar.


