Depois de um dia intenso de trabalho, me deitei e a cabeça não quis parar. Eu já estava deitada, quando um dos pensamentos que me veio a cabaça foram as histórias que para minha filha ainda quero contar.
Uma das histórias da minha infância, é a minha antiga paixão por papelarias. Parece coisa de doido, mas assim sou eu e ponto. Me lembro com tantos detalhes da "minha primeira papelaria", que na verdade era do seu Rubinho… Nossa! Como eu amava entrar lá e sentir cheirinho de papel, me debruçar no balcão de madeira com tampo de vidro pra escolher borrachas pra minha pequena coleção.
Me lembro a emoção que tive quando minha mãe deixou que eu levasse pra casa uma caixa de lápis de cor de 36 cores da Faber-Castell. Não houve uma única vez que eu não entrasse lá e namorasse aquele lindo arco-íres dentro daquela vitrine. Meus cadernos, lápis, borrachas, canetas, todo material escolar era comprado lá, em todos os meus anos de escola. E olha que isso tudo foi numa época onde nem todo mundo tinha cartão de crédito, mas a "mamãe tinha conta lá!".
No Natal, eu ia lá com a mamãe pra comprar papel pedra para o Presépio e lâmpadas coloridas para o pisca-pisca. Bolas de Natal quebravam facilmente, mas nem todo ano o dinheiro dava pra comprar. E uma coisa bacana, é que presentes de lá marcaram fases da minha vida muitas outras vezes.
Na minha formatura meu querido avô Jorge não estava presente, mas me mandou com todo carinho um presente de lá! Quando ganhei meu marido numa "roleta", minha mãe foi logo providenciando um livro de receitas. O primeiro presente que minha mãe deu pra minha filha também foi dela! Hum… Agora me deu uma vontade de entrar lá, de ver seu Rubinho, sua esposa e sua filha atendendo a gente com tanto carinho. Saudade bonita, gostosa de ter! Quadros, giz, cartolina, pincel, régua, estojo, corretivo, fita pra máquina da mamãe, papel de carta, durex e plástico pra encapar os cadernos e livros. Ah, é mesmo bom lembrar da infância! É por esses e outros motivos, é claro, que hoje estou tão longe.
Quero que minha filha tenha algo um pouquinho mais próximo do que eu tive na minha infância, coisas gostosas pra contar, lembrar, relembrar e sentir. Uma vida menos corrida e mais vivida. Ela, a papelaria do seu Rubinho, não está mais em seu velho lugar, mas ela ainda existe com muitas histórias pra contar.

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